Para gerar impacto real em vendas e fortalecer os canais, o trade marketing B2B tem sua importância. No entanto, não podemos vê-lo somente como uma função operacional. Devemos entender seu papel ativo na decisão de compra.
Hoje, no B2B, a venda começa muito antes do vendedor. O comprador pesquisa, compara, valida e forma opinião. Quando o contato acontece, a decisão já está praticamente tomada.
Nesse contexto, o trade marketing precisa não apenas apoiar, mas orientar a decisão, integrando conteúdo, relacionamento e estratégia comercial.
O efeito é direto: menos atrito, ciclos encurtados e canais seguros de venda.
Neste artigo, veja uma análise completa sobre o trade marketing B2B e sua relação com o inbound. Também mostro um case onde indico que há um caminho a ser seguido.
O que é Trade marketing B2B: e por que ele mudou de patamar?
Começo minha análise do jeito mais simples: explicando o que é Trade marketing.
Em seu artigo, a FIA define o termo assim: “o conjunto de atividades comerciais e de marketing que tem foco nos canais de distribuição dos produtos”.
Esses são os caminhos que a empresa escolhe para fazer seu produto chegar ao consumidor final.
Mas, eu prefiro destacar que a abordagem, especialmente no meio B2B, precisa ir além.
Durante anos, a estratégia ficou restrita a materiais físicos e ações pontuais. Na decisão de compra que ocorria no balcão, funcionava. Hoje, não mais.
Trade marketing não é sobre exposição. Significa estruturar a relação entre empresa, distribuidores e revendas, gerando demanda consistente ao longo de toda a cadeia.
E, em um cenário onde a venda começa muito antes do vendedor, isso é imprescindível.
Dados de pesquisas recentes citadas pelo levantamento Buyer’s Journey Statistics, da ZipDo Research, confirmam:
- 70% dos compradores pesquisam antes de contatar o vendedor;
- 47% visualizam de 3 a 5 conteúdos;
- 60% da jornada do comprador ocorre previamente;
- 81% pesquisam online ao fazer uma compra;
- 50% afirmam que a conectividade entre conteúdo e engajamento influencia a decisão de compra.
Se o trade não atua neste momento, a empresa chega atrasada.
Trade B2B: a diferença entre presença e influência
Vejo isso com frequência na indústria: materiais de PDV bem produzidos, treinamentos pontuais, campanhas cooperadas… e mesmo assim, o impacto comercial é baixo.
Logo, imaginamos que o problema está na execução. Mas não, ele está no foco.
Para ser eficiente, todo Trade precisa cumprir três funções estratégicas do marketing:
- Gerar confiança, posicionando a indústria como parceira técnica, não apenas fornecedora;
- Contribuir com o vendedor, preparando o cliente antes do contato comercial;
- Acelerar o ciclo de vendas, eliminando dúvidas básicas ao longo da jornada.
Quando estes pontos são considerados, o conjunto de atividades adotado cumpre sua função.
Inbound marketing como extensão natural do trade
Dou-me o direito de falar que o inbound marketing, amplamente conhecido no meio, é uma extensão natural do trade marketing.
Ambos os conceitos convergem para o mesmo objetivo: atrair e engajar o público.
O primeiro foca nos canais de distribuição (B2B), enquanto o inbound aplica essa lógica ao ambiente digital, otimizando a presença da marca em toda a cadeia de valor.
Ou seja, não basta entregar material. É preciso criar demanda qualificada e educar o mercado.
Investir em um conteúdo técnico bem estruturado faz exatamente isso:
- Constrói autoridade;
- Reduz objeções;
- Prepara o cliente.
Quando o inbound entra no trade, a indústria deixa de empurrar mensagens sem objetivos, passando a orientar decisões.
O resultado aparece nos números: vende mais porque o cliente conhece sua necessidade e já confia na solução.
Talvez essa virada de chave lance um novo olhar sobre a forma com que a indústria apoia seus canais de distribuição.
Foi esse o raciocínio aplicado no projeto desenvolvido pela abraind para a Balmer. Veja a seguir.
Case Balmer + abraind: quando trade vira vantagem competitiva
A Balmer é referência em toda a América do Sul em soluções de soldagem.
Ela tem uma linha de produtos forte, engenharia sólida e uma reputação construída ao longo de décadas.
Definitivamente seu desafio não era qualidade (que eles já têm!), era percepção de valor no ambiente industrial.
Com a estratégia desenvolvida, o trade deixou de ser apenas apoio ao canal e passou a gerar demanda. Adotamos um caminho bem definido:
- Conteúdo técnico profundo, voltado às aplicações reais;
- Estratégia orientada a SEO e jornada de compra;
- Integração direta com o time comercial e parceiros.
O efeito foi imediato: o comercial recebia prospects melhor preparados, com entendimento prévio da solução e menos resistência ao processo de venda.

